{"id":3601,"date":"2020-02-12T17:27:54","date_gmt":"2020-02-12T20:27:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/?p=3601"},"modified":"2020-02-13T09:22:21","modified_gmt":"2020-02-13T12:22:21","slug":"entrevista-noel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/entrevista-noel\/","title":{"rendered":"Um olhar sobre o futuro da agropecu\u00e1ria alagoana"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Assessor t\u00e9cnico da Faeal, Noel Loureiro fala sobre perspectivas para o setor em 2020<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-3603\" src=\"http:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-12-at-17.11.48-1-682x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-12-at-17.11.48-1-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-12-at-17.11.48-1-600x900.jpeg 600w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-12-at-17.11.48-1-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-12-at-17.11.48-1-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-12-at-17.11.48-1-696x1044.jpeg 696w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-12-at-17.11.48-1-280x420.jpeg 280w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-12-at-17.11.48-1.jpeg 853w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><em>Poucos s\u00e3o os profissionais com conhecimento t\u00e9cnico e experi\u00eancia suficientes para fazer um progn\u00f3stico da agropecu\u00e1ria alagoana. Noel Loureiro \u00e9 um desses estudiosos que dedicam a vida a analisar as mudan\u00e7as no setor. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o assessor t\u00e9cnico da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de Alagoas \u2013 Faeal \u2013 tem sido presen\u00e7a marcante em eventos como o\u00a0Congresso Cidades e Gestores, promovido pela Associa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios Alagoanos \u2013 AMA \u2013 e, mais recentemente, o Workshop\u00a0Potencial de Desenvolvimento em Alagoas: Energia, Infraestrutura e Neg\u00f3cios, realizado na Ufal. Em entrevista ao Senar, Noel fala sobre as perspectivas para 2020, destaca a atividade canavieira, a pecu\u00e1ria de corte e a silvicultura. Confira:<\/em><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>Em linhas gerais, quais as perspectivas para a agropecu\u00e1ria alagoana em 2020?<\/b><b>Noel Loureiro \u2013\u00a0<\/b>A perspectiva \u00e9 de consolida\u00e7\u00e3o da atividade canavieira no n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o atual, que representa 60% do que as nossas usinas j\u00e1 produziram. Al\u00e9m disso, haver\u00e1 o incremento de outras atividades que est\u00e3o se consolidando, a exemplo da pecu\u00e1ria de corte e a silvicultura baseada no eucalipto.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>O que influenciou para que a atividade canavieira tivesse essa retomada ap\u00f3s uma crive grave?<br \/>\n<\/b><b>NL \u2013\u00a0<\/b>Essa retomada tem como fulcro o clima, n\u00e3o est\u00e1 relacionada a grandes investimentos no setor. N\u00f3s t\u00ednhamos 37 usinas em 1990, hoje temos umas 13, mas, apesar da crise, a queda da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi proporcional a esta redu\u00e7\u00e3o de empresas. No auge, as usinas alagoanas chegaram a produzir 30 milh\u00f5es de toneladas de cana, depois essa capacidade caiu para 13 milh\u00f5es e agora est\u00e1 na faixa de 16 milh\u00f5es de toneladas, pouco mais da metade. Em 2020, tudo indica que ficaremos nessa faixa, entre 16 e 18 milh\u00f5es de toneladas.<b><\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia dessa recupera\u00e7\u00e3o do setor canavieiro?<br \/>\n<\/b><b>NL \u2013<\/b> \u00c9 a capacidade que o setor tem de gerar empregos, sobretudo, os formais. H\u00e1 uns tr\u00eas ou quatro anos, Alagoas era o terceiro estado brasileiro com o menor grau de informalidade no campo por conta das usinas de a\u00e7\u00facar. A atividade canavieira \u00e9 muito f\u00e1cil de ser fiscalizada pelo Minist\u00e9rio do Trabalho, porque voc\u00ea tem duas, tr\u00eas mil pessoas trabalhando concentradas em local de f\u00e1cil acesso. Portanto, as usinas t\u00eam muita formalidade. No melhor momento econ\u00f4mico para o setor, nosso estado chegou a registrar entre 45% e 46% de informalidade no campo. No Nordeste, quem chegava perto era Pernambuco, que tinha pouco mais de 65%. No Maranh\u00e3o, 90% das pessoas trabalhavam informalmente no setor agr\u00edcola. Isso \u00e9 um problema muito s\u00e9rio por conta da previd\u00eancia. De qualquer forma, quem trabalha na informalidade um dia vai para a previd\u00eancia e a conta ser\u00e1 paga pelos trabalhadores formais.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>E com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pecu\u00e1ria, qual \u00e9 a perspectiva em Alagoas?<br \/>\n<\/b><b>NL \u2013\u00a0<\/b>Tradicionalmente, o empres\u00e1rio, sobretudo o pequeno, fornecedor de cana, sempre teve a pecu\u00e1ria como uma poupan\u00e7a. Agora, ainda sob o efeito da crise no setor canavieiro, ele est\u00e1 sendo incentivado a transformar a pecu\u00e1ria numa atividade-fim, mas, se quiser ficar neste setor, ter\u00e1 que se modernizar. Neste contexto, o papel da Faeal e do Senar Alagoas tem sido muito importante, com a oferta de cursos e programas como o Mais Pasto, que ensinam t\u00e9cnicas modernas para aumentar o rendimento da atividade. Estima-se que em Alagoas a gente tenha um rendimento m\u00e9dio de 4 arrobas por hectare\/ano. Isso significa, mesmo com os pre\u00e7os atuais, pouco mais de R$ 800,00 por hectare de faturamento. S\u00f3 para efeito comparativo, a cana-de-a\u00e7\u00facar chegou a render R$ 6 mil por hectare de faturamento, muito acima. Portanto, quem quiser permanecer no setor da pecu\u00e1ria de corte precisar\u00e1 ter muita produtividade e, para isso, tem que se capacitar. Nicho de mercado h\u00e1. Alagoas \u00e9 um estado perif\u00e9rico, n\u00f3s somos importadores de carne, ent\u00e3o, h\u00e1 um espa\u00e7o grande para a produ\u00e7\u00e3o local. Para isso, precisamos de grandes frigor\u00edficos para fazer abate programado, at\u00e9 mesmo para a exporta\u00e7\u00e3o de carne. J\u00e1 somos zona livre da aftosa, um trabalho liderado pela Faeal, daqui h\u00e1 um ou dois anos n\u00e3o teremos nem mais vacina\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 um diferencial muito grande.<b><\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>E a pecu\u00e1ria de leite?<br \/>\n<\/b><b>NL \u2013\u00a0<\/b>\u00c9 um nicho que continua est\u00e1vel. Seu crescimento depende muito de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas, a exemplo do Programa do Leite, mas atualmente n\u00f3s temos uma produ\u00e7\u00e3o mais alta do que em anos anteriores, em n\u00fameros absolutos. Do ponto de vista proporcional, \u00e9 uma atividade que se mant\u00e9m, pois n\u00f3s j\u00e1 temos expertise. A chegada da Natville, prestes a ser inaugurada em Uni\u00e3o dos Palmares \u00e9 importante, contribuir\u00e1 para o fortalecimento da produ\u00e7\u00e3o de leite, mas, naturalmente, a Zona da Mata exige solu\u00e7\u00f5es diferentes do Sert\u00e3o. \u00c0s vezes voc\u00ea tem o problema do carrapato, doen\u00e7as que s\u00e3o comuns, mas hoje em dia h\u00e1 ra\u00e7as mesti\u00e7as, como o Girolando, que resistem bem. Al\u00e9m disso, a pecu\u00e1ria de leite segue sendo a alternativa vi\u00e1vel para quem tem pequenas propriedades, j\u00e1 que a pecu\u00e1ria de corte demanda grandes \u00e1reas. Se tiv\u00e9ssemos em Alagoas um matadouro frigor\u00edfico com escala de abate, poder\u00edamos fazer confinamento. Mas n\u00f3s n\u00e3o temos e o gado confinado tem hora para entrar e para sair do pasto, sen\u00e3o o produtor fica no preju\u00edzo.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>Que outra atividade deve se fortalecer em Alagoas?<br \/>\n<\/b><b>NL \u2013\u00a0<\/b>A silvicultura,<b>\u00a0<\/b>principalmente com o eucalipto, que est\u00e1 se desenvolvendo bastante e com algumas interfaces. Por exemplo, voc\u00ea pode plantar eucalipto s\u00f3 para ter floresta, mas tamb\u00e9m para fazer a integra\u00e7\u00e3o floresta-lavoura-pecu\u00e1ria, o que abre um leque fora do comum. O mundo caminha para um cuidado muito forte com o bem-estar humano e animal. Se voc\u00ea integra, trabalha com \u00e1reas sombreadas. Para quem trabalha no sol de meio dia, em um clima como o nosso, isso significa tr\u00eas ou quatro graus a menos na temperatura. Al\u00e9m disso, \u00e9 melhor para o animal, que se estressa menos e se alimenta mais, e reduz a difus\u00e3o de doen\u00e7as porque, em geral, quando n\u00e3o se tem uma floresta desse tipo, os animais tendem a se amontoar embaixo de poucas sombras e isso aumenta o risco de contamina\u00e7\u00e3o por esterco, entre outros meios. Ent\u00e3o, a integra\u00e7\u00e3o floresta-lavoura-pecu\u00e1ria, com o eucalipto, j\u00e1 apresenta bons resultados em Alagoas e tende a se consolidar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assessor t\u00e9cnico da Faeal, Noel Loureiro fala sobre perspectivas para o setor em 2020 Poucos s\u00e3o os profissionais com conhecimento t\u00e9cnico e experi\u00eancia suficientes para fazer um progn\u00f3stico da agropecu\u00e1ria alagoana. Noel Loureiro \u00e9 um desses estudiosos que dedicam a vida a analisar as mudan\u00e7as no setor. 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