{"id":4695,"date":"2021-03-08T08:05:37","date_gmt":"2021-03-08T11:05:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/?p=4695"},"modified":"2021-03-08T08:17:29","modified_gmt":"2021-03-08T11:17:29","slug":"o-poder-das-mulheres-no-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/o-poder-das-mulheres-no-campo\/","title":{"rendered":"O poder das mulheres no campo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><em>Seja produzindo ou capacitando quem produz, elas s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento do agro<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_95518\"  width=\"640\" height=\"360\"  data-origwidth=\"640\" data-origheight=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/97tYdI_HdYo?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p><strong>\u00c1lvaro M\u00fcller<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNasci em 1971 e minha m\u00e3e sofreu muito para que eu me tornasse a mulher que sou hoje. A ro\u00e7a era a \u00fanica atividade que meus pais tinham e tudo foi roubado, por conta da fome. Minha m\u00e3e n\u00e3o tinha o que me dar para comer. Essa hist\u00f3ria de sofrimento, mas tamb\u00e9m de amor ao campo me fez permanecer aqui. O campo, para mim, \u00e9 riqueza\u201d.<\/p>\n<p>Foi assim, a partir da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria de vida, que Maria Quit\u00e9ria Pereira Matias, 49 anos, decidiu incentivar outras mulheres da zona rural de Igreja Nova, leste de Alagoas, a assumir o protagonismo da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Hoje, ap\u00f3s mais de duas d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o ao associativismo, Quit\u00e9ria coordena a Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Agricultoras, Quilombolas e Pescadoras do Povoado Sap\u00e9, um projeto de empoderamento feminino e fortalecimento das ra\u00edzes culturais da comunidade.<\/p>\n<p>\u201cTemos 38 mulheres que produzem bolo de macaxeira e de milho, beiju, malcasado, tapioca e sequilhos que s\u00e3o vendidos na feira ou entregues ao munic\u00edpio, pelo PAA (Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos). Tudo o que se planta no quintal, ganha receitas pr\u00f3prias da comunidade, com a nossa tradi\u00e7\u00e3o. N\u00f3s nascemos com um objetivo muito simples, que foi trabalhar os produtos que temos na comunidade, extra\u00eddos da ro\u00e7a, mas as mulheres n\u00e3o sabiam o valor que esses produtos tinham dentro da vida, da casa e da fam\u00edlia delas\u201d, explica Quit\u00e9ria.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 feito dentro das cozinhas das resid\u00eancias e em seis casas de farinha utilizadas para as demandas maiores. Al\u00e9m dos alimentos, as mulheres tamb\u00e9m fabricam artesanato e artigos para a pesca, como o jerer\u00e9. Tecem, no dia a dia, hist\u00f3rias de crescimento pessoal e profissional, de contribui\u00e7\u00f5es individuais e coletivas para o desenvolvimento socioecon\u00f4mico da comunidade.<\/p>\n<p>Segundo Maria Quit\u00e9ria o curso de Associativismo promovido pelo Senar Alagoas no Povoado Sap\u00e9 contribuiu significativamente para a consolida\u00e7\u00e3o do projeto. \u201cFomos capacitadas pela professora Rita Gouvea e pudemos aprender muito, isso foi de fundamental import\u00e2ncia no desenvolvimento, na organiza\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o e de cada uma das meninas. Hoje, al\u00e9m do nosso perfil no Instagram (@gm.sape), muitas das nossas artes\u00e3s comercializam produtos nos seus perfis pr\u00f3prios, em boa escala\u201d, observa a l\u00edder comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>E o projeto segue crescendo. A associa\u00e7\u00e3o acaba de ganhar uma nova sede, o espa\u00e7o de uma antiga escola municipal que foi cedido pela prefeitura. A estrutura ainda precisa passar por reformas, mas j\u00e1 abriga sonhos imensur\u00e1veis. \u201cEu creio e vou lutar, junto com as minhas companheiras, para que este espa\u00e7o se transforme numa grande fonte de trabalho n\u00e3o s\u00f3 para essas 38 mulheres, mas para muito mais. Este espa\u00e7o ser\u00e1 apenas um dos que a gente vai conquistar, porque trabalho, for\u00e7a de vontade, energia, persist\u00eancia n\u00f3s temos\u201d, vislumbra Quit\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os sonhos v\u00e3o se concretizando, as mulheres do Povoado Sap\u00e9 se valorizam e, sobretudo, mostram a sua import\u00e2ncia para a comunidade em exemplos aparentemente simples do cotidiano. Recentemente, Samara de Andrade, 29 anos, recebeu em casa, por meio do Programa Crian\u00e7a Feliz, do Governo de Alagoas, um dos bolos de milho que ela mesma produziu e que retornou para alimentar os seus filhos. \u201cFoi muito importante ser reconhecida como m\u00e3e, produtora, como fam\u00edlia\u201d, resume.<\/p>\n<p>\u201cIsso fez toda a diferen\u00e7a na vida dela e na da gente, porque \u00e9 o potencial da m\u00e3e. \u00c9 a m\u00e3e mostrando para o filho que ela pode tudo, sozinha n\u00e3o, mas unida com outras mulheres. \u00c9 nisso que a gente acredita e \u00e9 isso que a gente quer mostrar para o mundo\u201d, afirma Maria Quit\u00e9ria, com os olhos marejados.<\/p>\n<p><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4696\" src=\"https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48.jpeg 1024w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48-100x100.jpeg 100w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48-600x600.jpeg 600w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48-696x696.jpeg 696w, https:\/\/www.sistemafaeal.org.br\/senar\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-02-at-20.52.48-420x420.jpeg 420w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>Irm\u00e3s do agro<br \/>\n<\/strong>A import\u00e2ncia da mulher para o desenvolvimento do agro n\u00e3o est\u00e1 apenas em quem produz, mas tamb\u00e9m em quem se dedica \u00e0 miss\u00e3o de capacitar as comunidades rurais. Somente na fam\u00edlia Salvador, h\u00e1 tr\u00eas bons exemplos. As irm\u00e3s Ediv\u00e2nia, 39, Tatiana e Taciana, g\u00eameas de 37 anos se apaixonaram pela \u00e1rea rural ainda na inf\u00e2ncia, no s\u00edtio do av\u00f4 Pedro Carlos, na cidade de Satuba. Hoje, Ediv\u00e2nia e Tatiana s\u00e3o t\u00e9cnicas de campo do Senar Alagoas, pelo Programa Agronordeste, nas cadeias produtivas da avicultura e horticultura, respectivamente. J\u00e1 Taciana atua pela Emater\/AL.<\/p>\n<p>Zootecnista e mestre em Produ\u00e7\u00e3o Animal, Ediv\u00e2nia Salvador afirma que a mulher tem buscado novos conhecimentos, se especializado cada vez mais e ganhado espa\u00e7o no agroneg\u00f3cio, inclusive, ocupando cargos que antes eram destinados somente aos homens. \u201cHoje o preconceito ainda pode existir, mas \u00e9 muito remoto, pois a capacidade profissional se torna mais relevante do que o pr\u00f3prio g\u00eanero. Mas ainda se tem buscado igualdade, homens e mulheres capacitados para entrar no mercado de trabalho e competir por igual, independentemente do cargo que pretendam conquistar, at\u00e9 os de mais alto escal\u00e3o\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Tatiana e Taciana Salvador s\u00e3o engenheiras agr\u00f4nomas. Para Tatiana, a representatividade da mulher no campo tem se tornado cada vez mais forte. \u201cNa maioria das propriedades rurais, a presen\u00e7a das mulheres \u00e9 bastante expressiva nas atividades di\u00e1rias da agricultura. A participa\u00e7\u00e3o da figura feminina \u00e9 indispens\u00e1vel para a manuten\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias na zona rural e, apesar das dificuldades e preconceitos ainda existentes, elas se mostram firmes em decis\u00f5es, conseguem expressar opini\u00f5es e ganhar espa\u00e7o na sociedade. Mulheres do campo s\u00e3o a express\u00e3o de for\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o. Apesar da desigualdade, conquistam reconhecimento e autonomia no espa\u00e7o em que vivem\u201d, diz.<\/p>\n<p>J\u00e1 Taciana ressalta que a miss\u00e3o de capacitar outras mulheres tamb\u00e9m significa lutar para que elas sejam reconhecidas dentro e fora do ciclo familiar. \u201cAs mulheres do campo t\u00eam uma for\u00e7a surpreendente e inimagin\u00e1vel. Poder auxili\u00e1-las e orient\u00e1-las, mostrando o seu potencial na economia da sua propriedade e a import\u00e2ncia no fortalecimento da sua produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 um trabalho di\u00e1rio e gratificante\u201d, avalia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seja produzindo ou capacitando quem produz, elas s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento do agro \u00c1lvaro M\u00fcller \u201cNasci em 1971 e minha m\u00e3e sofreu muito para que eu me tornasse a mulher que sou hoje. A ro\u00e7a era a \u00fanica atividade que meus pais tinham e tudo foi roubado, por conta da fome. 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