A diversificação da produção agrícola tem se consolidado como alternativa de renda para produtores rurais em Alagoas. No povoado Riachão, no município de Junqueiro, agricultores que antes dependiam do corte de cana-de-açúcar agora encontram na fruticultura e em outras culturas agrícolas uma nova perspectiva de trabalho e geração de renda. A mudança tem sido acompanhada pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Alagoas.

O técnico de campo Anderson Santos, sob supervisão de Gilberlândia Ferro, vem acompanhando de perto a evolução produtiva da região. Após demonstrar o potencial do cultivo do abacaxi em propriedades locais, ele agora apresenta resultados promissores também no cultivo do maracujá. “Com o abacaxi já estamos conseguindo atingir mercados externos, como a Argentina, além de outros estados do Brasil, demonstrando a força emergente da fruticultura em Alagoas”, afirmou.

Povoado Riachão

Um dos exemplos citados por Anderson Santos é a propriedade do agricultor familiar Felipe dos Santos, que vive da produção em uma área própria no povoado Riachão. Antes do início das atividades agrícolas, ele e outros membros da família prestavam serviços a outros produtores. A agricultura, inicialmente vista como alternativa, hoje é a principal fonte de renda dos produtores.

“Essa é a primeira experiência deles com o maracujá, mas já percebemos um avanço significativo no manejo e na organização da produção”, explica Anderson Santos. O acompanhamento técnico começou oficialmente em dezembro por meio dos novos grupos da ATeG, mas o produtor já vinha sendo orientado pelo técnico desde setembro.

Além do maracujá, a família também investe na diversificação da propriedade, cultivando milho, inhame, quiabo, maxixe e amendoim. Parte da produção é comercializada na feira livre local, fortalecendo a economia da comunidade. As feiras livres do interior de Alagoas, aliás, têm sido importantes polos de comercialização, agora potencializados pelos produtos cultivados no próprio estado.  

Segundo o produtor, os resultados do acompanhamento técnico já são perceptíveis, principalmente, na gestão da propriedade. Após receber as orientações da ATeG, ele conseguiu reduzir em cerca de 50% os custos de produção.

“A gente não sabia exatamente a quantidade correta de fertilizantes ou de irrigação. Com a orientação técnica e o olhar atento do Anderson, conseguimos organizar melhor tudo isso e economizar bastante”, relatou Felipe dos Santos.

Fruticultura em crescimento

A experiência observada em Junqueiro acompanha um cenário mais amplo de valorização da fruticultura no estado. Dados recentes indicam que a produção agrícola alagoana alcançou recordes de valor, ultrapassando R$4 bilhões em 2024/2025, com crescimento contínuo nos últimos anos.

Embora a cana-de-açúcar ainda seja a principal cultura agrícola do estado, a diversificação produtiva tem ganhado espaço, especialmente na agricultura familiar, principal público atendido pela ATeG do Senar Alagoas. Culturas como coco, abacaxi e outras frutas tropicais vêm ampliando sua importância econômica e abrindo novas oportunidades de mercado para os produtores.

ATeG como motor da transformação

Para a superintendente-adjunta do Senar Alagoas, Luana Torres, os resultados observados em propriedades como a de Felipe demonstram o impacto direto da assistência técnica no fortalecimento da agricultura familiar e, consequentemente, na geração de trabalho e renda.

“A assistência técnica é fundamental para que o produtor consiga planejar melhor sua atividade agrícola, reduzir custos e aumentar a produtividade. O trabalho realizado pela ATeG do Senar Alagoas tem justamente esse objetivo: levar conhecimento, inovação e gestão para dentro das propriedades, criando oportunidades reais de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida no campo”, destacou.

Segundo ela, iniciativas como essa contribuem diretamente para a diversificação da produção agrícola no estado, estimulando novas cadeias produtivas e ampliando a renda das famílias rurais.

Em comunidades como o povoado Riachão, o resultado já começa a aparecer no dia a dia: produtores que antes dependiam quase exclusivamente do trabalho no corte de cana, por exemplo, agora constroem uma nova trajetória a partir da própria terra, apostando na fruticultura e em sistemas de produção mais diversificados e sustentáveis.

 

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