CNA Jovem: representantes de Alagoas estão animados para a fase das oficinas digitais

Maria Eduarda Xavier (estagiária)

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar – se prepara para iniciar a fase de oficinas digitais do programa CNA Jovem. Os candidatos aprovados na fase anterior, avançam para a etapa de objetivos específicos de forma remota. 

O intuito é apoiar o desenvolvimento de novas lideranças e buscar projetos inovadores para a agropecuária brasileira, em diversas áreas de atuação. Entre os 3.742 jovens inscritos para participar do programa, estão 14 alagoanos.

Para Yara de Almeida, graduanda em Gestão Ambiental, esta é uma grande oportunidade para aprender a tomar decisões adequadas durante suas atividades de gestora, a agir e pensar como líder. Incentivada a participar por seu irmão, é sua primeira experiência em um programa do Senar. “Estou realizada com todo o conteúdo que tenho absorvido nos módulos introdutórios”, expõe.

Em sua quarta edição, o CNA Jovem foi dividido em etapas remotas e presenciais, sendo algumas eliminatórias e classificatórias. A duração do programa é de 16 meses. “As minhas expectativas são para que eu possa concluir mais essa etapa e que o programa continue sendo didático”, pontua,Yara. 

Neste primeiro momento o contato com participantes de outros estados é mais tímido, visto que ainda estão no início do projeto, mas a expectativa para a criação de uma rede nacional é grande.

“O maior desafio da atualidade é manter os jovens no campo e capacitá-los para o exercício da liderança, tanto nos negócios como na vida comunitária. O programa é importante, pois prepara jovens dos 22 aos 35 anos para enfrentar os desafios do agro com responsabilidade”, diz Graziela Freitas, coordenadora do Departamento Técnico do Senar Alagoas.

Lázaro Brito, ex-aluno do curso Técnico em Agronegócio do Senar, também está feliz com a oportunidade de participar do CNA Jovem e ter contato com grandes líderes do agro e aprender com eles. “É um programa bastante interessante e motivador, busca novas lideranças no agro e hoje nós temos essa necessidade, de pessoas de diversas áreas e conhecimentos para trazer inovação e tecnologias para o campo”, avalia.

DITR deve ser entregue até esta quarta-feira, 30

Produtores rurais têm até esta quarta-feira, 30, para entregar a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR – Exercício 2020. A data consta na Instrução Normativa nº 1.967, da Receita Federal, que estabelece as normas e os procedimentos para a apresentação da DITR, informa os critérios de obrigatoriedade, a necessidade do uso de computador na elaboração da declaração, e as consequências da apresentação fora do prazo estabelecido, entre outras informações.

Está obrigada a apresentar a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a pessoa física ou jurídica, exceto a imune ou isenta, proprietária, titular do domínio útil ou possuidora a qualquer título do imóvel rural. Também está obrigada a pessoa física ou jurídica que, entre 1º de janeiro de 2020 e a data da efetiva apresentação da declaração, perdeu a posse do imóvel rural ou o direito de propriedade pela transferência ou incorporação do imóvel rural ao patrimônio do expropriante.

Em Alagoas, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal – oferece o serviço de orientação aos produtores rurais que estão em dia com a contribuição sindical e precisam fazer a declaração de ITR. Por conta da pandemia de Covid-19, os atendimentos acontecem por telefone e WhatsApp, nos números (82) 9.8889-4087 ou 9.8878-3618, e também pelo e-mail carla@faeal.org.br.

A DITR deve ser elaborada com uso de computador, por meio do Programa Gerador da Declaração do ITR, disponibilizado na página da Receita Federal www.receita.economia.gov.br. A declaração pode ser transmitida pela Internet ou entregue em uma mídia removível acessível por porta USB nas unidades da Receita Federal. A multa para quem apresentar a DITR depois do prazo é de 1% (um por cento) ao mês ou fração de atraso, lançada de ofício e calculada sobre o total do imposto devido, não podendo seu valor ser inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais).

Se, depois da apresentação da declaração, o contribuinte verificar que cometeu erros ou omitiu informações, deve, antes de iniciado o procedimento de lançamento de ofício, apresentar DITR retificadora, sem a interrupção do pagamento do imposto apurado na declaração original. A DITR retificadora tem a mesma natureza da originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Por isso, a declaração retificadora deve conter todas as informações anteriormente prestadas com as alterações e exclusões necessárias bem como as informações adicionadas, se for o caso.

O valor do imposto pode ser pago em até 4 (quatro) quotas iguais, mensais e sucessivas, sendo que nenhuma quota pode ter valor inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais). O imposto de valor inferior a R$ 100,00 (cem reais) deve ser pago em quota única. A quota única ou a 1ª (primeira) quota deve ser paga até o dia 30 de setembro de 2020, último dia do prazo para a apresentação da DITR.

O imposto pode ser pago mediante transferência eletrônica de fundos por meio de sistemas eletrônicos das instituições financeiras autorizadas pela Receita Federal a operar com essa modalidade de arrecadação ou por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), em qualquer agência bancária integrante da rede arrecadadora de receitas federais.

 

Senar lança guia interativo de organização da propriedade rural

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) lançou um guia interativo com orientações aos produtores rurais sobre a organização da propriedade rural. O material contém instruções sobre o armazenamento de insumos, limpeza dos espaços e distribuição de ferramentas e máquinas, entre outras.

O conteúdo foi desenvolvido com informações de fácil acesso e ilustrações que indicam o passo a passo para o produtor rural iniciar o processo de organização e melhoria das atividades rurais.

Também são apresentados os benefícios gerados que vão desde a rapidez na localização de itens, aumento da produtividade, segurança e motivação das pessoas e resultados econômicos positivos.

Em 12 capítulos, o guia mostra detalhes sobre a gestão de recursos humanos; saneamento rural; organização de ferramentas; equipamentos; maquinários; farmácia veterinária; insumos; arrumação de ambientes para trato dos animais e manipulação dos alimentos; metodologia 5S de organização e lista de verificação.

A novidade é a interatividade do conteúdo. O guia é o primeiro material do Senar com essa inovação. Caso o leitor tenha interesse em aprofundar o conhecimento sobre alguns assuntos, o guia permite o acesso, por meio de QR Code, para cartilhas virtuais da instituição e legislações.

Também é possível salvar o material em aplicativos de leitura, realizar pesquisas por palavras-chaves, salvar páginas e fazer anotações, além de compartilhar por e-mail, whatsapp e redes sociais.

Clique aqui e acesse o Guia Organização da Propriedade Rural.

 

Faeal pleiteia 180 dias para que irrigantes se adequem à norma da Equatorial

Empresa vinha exigindo adequações antes de fazer a religação da energia elétrica, o que traria prejuízos econômicos para os produtores

Reunião extraordinária do Conselho

Em atendimento a um pleito da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal –, a Equatorial Alagoas vai estipular um prazo para que os produtores rurais que trabalham com irrigação e aquicultura, atividades que possuem ciclo sazonal de utilização de energia elétrica, se adequem à norma técnica de eletrificação de média tensão (NT.002). A norma foi publicada em 2019 e exige apresentação de estudo de viabilidade técnica ou projeto, além de adequação da subestação para a reenergização das unidades produtoras.

O anúncio foi feito na última quarta-feira, 9, durante reunião extraordinário do Conselho de Consumidores da Equatorial Alagoas, e a empresa fornecedora de energia elétrica deve divulgar o período de adequação nos próximos dias. Considerando a proximidade do período de estiagem e a necessidade do retorno das atividades de irrigação, a proposta da Faeal é de que os produtores rurais tenham até 180 dias para se adequar à norma técnica.

“A Equatorial vinha notificando os produtores e exigindo a adequação à norma para que a energia elétrica fosse religada. O processo exige apresentação de nota fiscal do transformador, ensaio de perdas, entre outras medidas que geram custos a esses produtores. Por isso, pleiteamos o prazo, posterior à religação, para que a produção seja garantida e os irrigantes possam assumir tais despesas com mais tranquilidade. A diretoria da Equatorial, mais uma vez, demonstrou sensibilidade em resolver o problema sem prejudicar os produtores”, afirma o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.

“Vínhamos acompanhando este caso com preocupação. Sabemos que as exigências são necessárias para garantir a segurança das instalações e da rede elétrica, também atendem às normas da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), mas entendemos que o período de 180 dias é razoável para que todas as adequações sejam providenciadas, sem que haja prejuízos econômicos para os produtores rurais”, reforça José Luiz Soares, representante da Faeal no Conselho de Consumidores da Equatorial Alagoas.

O presidente do Conselho, Antônio Pinto, acredita que o prazo de 180 dias será acatado pela Equatorial Alagoas. “O nosso diálogo tem sido muito produtivo e a diretoria regional da empresa está sempre propensa a atender os nossos pleitos. Nunca recebemos um não. Essas conquistas também comprovam que a Federação da Agricultura e Pecuária tem sido bastante atuante, inclusive, esta última reunião extraordinária, exclusiva sobre as questões que envolvem o setor rural, foi provocada pelo José Luiz e prontamente aceita pela Equatorial”, comenta.

Agronordeste: assistência técnica melhora produtividade de avicultores em Água Branca

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas – tem auxiliado 30 pequenos produtores de Água Branca, município localizado no Sertão do estado, a 308 km da capital Maceió, para aumentar produtividade da avicultura. O trabalho de assistência técnica e gerencial, pelo Programa Agronordeste, começou em abril e já rende bons resultados.

Na propriedade de Sandro Malaquias, no povoado Serra do Poder, o zootecnista e técnico de campo do Senar, Diego Damasceno, encontrou aves não indicadas para a avicultura de postura. “Nos próximos meses, essas aves serão retiradas, com peso ideal para abate, e faremos a mudança, com a compra novas pintinhas adequadas para a atividade que o produtor escolheu”, explica Damasceno.

O técnico de campo também identificou, na primeira visita técnica, que as aves estavam com gogo, uma doença infecciosa que inibe o apetite e provoca prejuízos, tanto no ganho de peso, quanto na postura. “Elas foram medicadas e nós também trocamos a ração. Depois disso, passaram a se alimentar melhor, aumentaram o peso e até algumas que não estavam pondo, agora estão”, observa Diego.

Para Sandro Malaquias, o trabalho de assistência técnica traz conhecimentos necessários ao sucesso da produção. “A gente nunca tinha criado aves, aconteceram alguns problemas, as galinhas chegaram a adoecer, atrasaram na postura. Com a visita do técnico, ele explicou direitinho como deveria fazer, orientou, é uma assistência diferenciada”, diz o avicultor.

Pandemia
Diego Damasceno ressalta que, no início da assistência técnica, encontrou os produtores de Água Branca com dificuldades para conseguir insumos, por conta das barreiras sanitárias adotadas como forma de combater a pandemia de Covid-19. “Eles não podiam passar para conseguir ração, bebedouro, comedouro, até mesmo vacinação. Algumas coisas eu consegui trazer para facilitar a vida deles e ajudar a desenvolver a avicultura em Água Branca”, conta o zootecnista e técnico de campo do Senar Alagoas.

Senar orienta produtores de pinha no combate à antracnose

Trabalho de assistência técnica no município de Estrela de Alagoas está vinculado ao Programa Agronordeste

As plantações de pinha dos sítios de Estrela de Alagoas, município do Agreste alagoano, vêm sendo atacadas pela antracnose desde 2014. Mas este ano, a doença causada por um fungo do gênero Colletrotichum provocou prejuízos ainda maiores. Agricultores perderam de 60% a 90% da produção. Na tentativa de resolver o problema, a comunidade acionou o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas – e passou a ser atendida pelo programa Agronordeste. Hoje, 30 produtores são orientados a agir de forma preventiva e garantir as próximas safras.

O trabalho de orientação e acompanhamento é realizado pela engenheira agrônoma e técnica de campo do Senar Alagoas, Ellen de Oliveira. A solução indicada para os agricultores é um trabalho de limpeza, simples e fácil de fazer. “Todos os frutos afetados e as folhas com manchas provocadas pela doença devem ser retirados da área, levados para um local distante do pomar e incinerados ou enterrados em uma boa profundidade. Recomenda-se, no mínimo, um metro, mas pode ser de 30 centímetros, com pouca quantidade de material”, explica Ellen.

Segundo a técnica de campo, após a limpeza, também é possível fazer um tratamento com a utilização de fungicida. “É necessário que seja um produto específico para a antracnose e que tenha ação curativa. Neste caso, não é aconselhável utilizar um fungicida preventivo, uma vez que o fungo já se encontra na área”, pondera.

No povoado Jurema, o agricultor Adnaldo Brandão da Silva segue as orientações após ter visto a sua produção de pinha cair drasticamente. “Vinha gente de Recife, Aracaju e Maceió comprar aqui. Na safra sadia, eu vendia cem caixas de pinha, em 280 pés. Este ano, consegui fazer um lucro de 28 caixas apenas”, lamenta.

Hoje, além de fazer a limpeza da área plantada, Adnaldo procura conscientizar outros agricultores para que sigam à risca as orientações. “Se todos fizerem esse trabalho, provavelmente teremos mais pinha. Mas se acharem que não é necessário limpar, podar, daqui há dois anos eu acredito que não teremos mais uma fruta aqui. Nos últimos anos, a gente vem tendo perdas muito grandes e eu quero agradecer ao Senar, e especialmente à engenheira Ellen, que está acompanhando os donos dos sítios em Estrela”, reconhece.

Outras culturas
A antracnose pode acometer outras culturas. Nas propriedades atendidas pelo programa Agronordeste, em Estrela de Alagoas, a doença também afetou as plantações de feijão. “Esse gênero ataca diversas frutíferas, leguminosas e gramíneas, entre outras espécies. O manejo inadequado faz com que a antracnose seja transmitida facilmente dentro do campo. É o que está acontecendo nesta área”, observa Ellen de Oliveira.

O fungo produz uma massa de cor alaranjada, na parte externa do fruto. Com as chuvas, essa massa é lavada e, desta forma, a doença é transmitido em distâncias curtas. Daí a importância da limpeza total e, preferencialmente, da incineração do material recolhido.

“As folhas e os frutos não devem ser deixados no chão, pois servirão de fonte de contaminação. Se o material infectado não for retirado, queimado ou enterrado, o plantio terá antracnose na próxima safra, porque esse fungo consegue sobreviver em restos culturais, por possuir ações saprófita (obtendo nutrientes a partir de matéria orgânica em decomposição) e parasita. Enquanto houver hospedeiro, ele se reproduzirá”, alerta a engenheira agrônoma.

Ellen explica, ainda, que queimar o material é mais recomendável, pois acaba com os fungos oportunistas que aproveitam a situação de debilidade da planta, a exemplo da phytophthora, pythium e clamidósporos de fusarium, que possuem estruturas de resistência e podem permanecer até 20 anos no solo. “Se o produtor agir preventivamente, podemos dizer que as perdas serão mínimas”, garante a técnica de campo do Senar Alagoas.

CNA e Federações do Norte e do Nordeste discutem renegociação de dívidas rurais com Ministério da Economia e bancos

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e as federações estaduais do Norte e do Nordeste discutiram, nesta sexta (28), a renegociação de dívidas rurais de produtores das duas regiões, em reunião por videoconferência com o subsecretário de Política Agrícola e Meio Ambiente do Ministério da Economia, Rogerio Boueri, e representantes dos bancos do Nordeste (BNB) e da Amazônia (Basa).

Além de dar um fôlego a produtores que enfrentaram problemas climáticos e tiveram prejuízos em suas atividades, a proposta é incluir mais operações de crédito rural neste escopo de renegociações, especialmente aquelas com recursos dos Fundos Constitucionais do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO).

Na avaliação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal), Álvaro Almeida, o Governo Federal precisa retribuir a contribuição que o agro tem dado para o país. “Milhares de produtores não podem resolver suas pendências porque a legislação não permite”, afirmou.

O deputado federal Júlio César, coordenador da bancada do Nordeste na Câmara e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Piauí (FAEPI), explicou que ainda há produtores que não foram contemplados pelas leis publicadas nos últimos anos. No BNB, por exemplo, há mais de 400 mil operações em condições de renegociação. No Basa, esse número de contratos é de aproximadamente 177 mil contratos.

Apesar dos benefícios trazidos pela Lei 13.340/2016, que definiu a repactuação de passivos dos produtores do Norte e Nordeste, e de outras legislações publicadas posteriormente para atualizar prazos e regras para renegociações, o deputado defende a necessidade de a proposta exigir a obrigatoriedade das instituições financeiras realizar a renegociação, ao invés da autorização ou o caráter facultativo para renegociar os débitos, e também a inclusão de agroindústrias.

Estes e outros pontos, disse Júlio César, estão sendo discutidos com o governo. “Ficou um passivo a negociar. A renegociação, ao invés de facultativa, deve ser uma obrigação. E há recursos destinados à renegociação que voltaram para o Estado. Também queremos incluir as agroindústrias, inclusive as instaladas na própria fazenda, pois os produtores contraíram empréstimos. O produtor precisa de condições para se restabelecer”, disse.

Para o presidente da federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa), Mário Borba, é preciso uma flexibilização nas condições de renegociação para o produtor rural, que há vários anos lida com problemas climáticos, correções monetárias e prejuízos na atividade por conta das seguidas secas. Ele também defendeu um novo prazo para a negociação de passivos referentes à Dívida Ativa da União (DAU).

“Sabemos dos problemas econômicos e da preocupação do governo, mas não queremos que nos deem nada. Apenas um tratamento diferenciado. Uma flexibilização para que o produtor rural volte a ser cidadão. Por conta do passado, ele não consegue acessar crédito. Precisamos discutir estas questões para chegar a um denominador comum”.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya, defendeu a suspensão das execuções das dívidas durante a vigência das leis que tratam de renegociação. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, defendeu maior alcance do número de produtores nas renegociações para que possam acessar o crédito e gerar emprego e renda em suas regiões.

Governo – O subsecretário de Política Agrícola do Ministério da Economia, Rogério Boueri, falou sobre os debates em torno de uma nova renegociação e reconheceu a importância e a necessidade de amenizar a situação dos produtores das duas regiões. Segundo ele, o governo estuda alternativas como o pagamento semestral de parcelas e questões relativas às transações tributárias.

Também participaram do encontro o diretor de crédito do BNB, Hailton Fortes, o diretor de Crédito do Banco da Amazônia, Roberto Schwarz, os presidentes das Federações de Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, do Maranhão (Faema), Raimundo Coelho, e de Rondônia (Faperon), Hélio Dias.

Também estiveram no encontro a assessora técnica do Núcleo Econômico da CNA, Carolina Nakamura, além de representantes de federações e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Norte e Nordeste e produtores rurais.

Aprendizagem rural e empreendedorismo

Ex-aluno do Senar Alagoas, jovem de 19 anos inicia o próprio negócio em Viçosa

Há duas semanas, o município de Viçosa ganhou mais um empreendimento. O Abatedor PH é o primeiro passo para a realização profissional de Paulo Henrique Pereira da Cruz Freire, um jovem de 19 anos que sempre sonhou em gerir o próprio negócio. Ex-aluno do curso de Administração Rural do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas –, Paulo foi aprendiz na Sabalangá Produtos Agropecuários. Hoje, é cliente da empresa, onde compra frangos para revender vivos ou abatidos.

“Penso em trabalhar para mim desde os 15 anos. Fui vendedor de cosméticos, porta a porta, e quando chegou na parte prática do curso do Senar, o gerente administrativo da Sabalangá, Tiago de Melo, percebeu o meu talento para vendas e me colocou no setor comercial. Tenho muita gratidão ao Senar e à Sabalangá, porque, apesar da experiência prática, pude aprender a teoria do empreendedorismo. Eu não sabia trabalhar porcentagem, não conhecia técnicas de marketing que hoje utilizo na minha empresa”, comenta Paulo.

Da turma de Paulo Henrique, a Sabalangá contratou dois aprendizes capacitados pelo Senar. O jovem de tino comercial estava no radar, seria o terceiro aprendiz da turma a ingressar no quadro de profissionais da empresa. Enquanto aguardava a oportunidade, Paulo teve uma experiência de trabalho em um posto de combustíveis da cidade, onde ficou por dois meses. Em seguida, trabalhou como motorista, na entrega de gás de cozinha, até que abriu o próprio negócio.

“Aos poucos, Paulo foi organizando a vida dele, juntou dinheiro e começou a investir no abatedor. Entrou em contato conosco para saber se poderíamos fornecer frango para ele iniciar as vendas, e nós o cadastramos. Com muito esforço, dedicação e o conhecimento adquirido na prática referente à área comercial, temos a alegria de dizer que o jovem aprendiz tornou-se um empreendedor e agora cliente da Sabalangá”, comemora o gerente administrativo Tiago de Melo.

Para a coordenadora do Departamento Técnico do Senar Alagoas, Graziela Freitas, histórias como a de Paulo Henrique comprovam a importância da educação profissional para o desenvolvimento dos jovens no interior do estado. “Contribuímos para os avanços sociais e o desenvolvimento do campo. Não só promovemos a qualificação e o aumento da renda do trabalhador, como fomentamos o empreendedorismo em diversas áreas. Isso só é possível graças à competência e comprometimento da nossa equipe de instrutores e à metodologia adequada à realidade dos nossos alunos”, afirma.

Alagoas investirá R$ 1,5 mi na construção de barragens subterrâneas

Programa Estadual de Barragens é o resultado de um amplo processo de discussão provocado pela Faeal

Barragem subterrânea no Sertão de Alagoas (Foto: Tasso Ramon)

O Governo de Alagoas investirá R$ 1,5 milhão na execução do Programa Estadual de Barragens Subterrâneas, que tem o objetivo de capturar, armazenar e proporcionar o acesso à água para o consumo humano, animal, irrigação e segurança alimentar no semiárido. O recurso foi solicitado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – Semarh – e aprovado na última Reunião Ordinária do Conselho Integrado de Políticas de Inclusão Social – Cipis –, órgão responsável pela gestão e acompanhamento dos recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – Fecoep.

O prazo de execução do programa é de 15 meses. “O próximo passo é elaborar o termo de referência para contratação de uma empresa que fará a execução dessas barragens, o que deve começar no início do ano que vem. A estimativa é de construir 60 barragens subterrâneas com esse orçamento aprovado, mas o projeto completo prevê 200 e nós ainda vamos atrás de recursos”, afirma o secretário executivo de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Pedro Lucas.

O Programa Estadual de Construção de Barragens é o resultado de um amplo processo de discussão provocado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal –, que envolveu agentes públicos e instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa – e o Sebrae. A estimativa é de que 465 famílias de comunidades rurais, residentes nas regiões mais secas do estado, sejam beneficiadas. A ideia nasceu a partir de um projeto-piloto do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas – em parceria com o Sebrae, no município de São José da Tapera.

Álvaro Almeida: “Provocamos a construção de um grande programa capitaneado pelo governo”

“Percebemos que a barragem subterrânea é uma tecnologia barata e capaz de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do Estado. Em seguida, procuramos a Embrapa e descobrimos que havia um estudo em andamento, capaz de indicar as áreas mais propícias para a construção. A pesquisa corria o risco de interrupção, por conta do corte de verbas do Governo Federal, e nós articulamos o apoio do Sebrae para a conclusão do mapeamento. Paralelamente, provocamos as instituições e agentes públicos para a construção de um grande programa capitaneado pelo governo”, relembra o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.

Propositora da sessão especial que levou o tema à Assembleia Legislativa e autora de uma indicação para que o Estado empreendesse esforços na promoção, construção, funcionamento e manutenção de barragens subterrâneas na região do semiárido alagoano, a deputada estadual Fátima Canuto comemora a liberação de recursos para o programa de barragens. “Fico muito feliz e satisfeita quando vejo que nossa indicação deu certo e que vai beneficiar as famílias, assim como o nosso Estado. O meu papel enquanto parlamentar é esse: criar ações que possam transformar a vida das pessoas positivamente “, comenta.

Mapeamento
O mapa de áreas potenciais, elaborado pela Embrapa Solos e que fundamenta o programa de construção de barragens subterrâneas, faz de Alagoas o primeiro estado do semiárido brasileiro a realizar este tipo de zoneamento. Mais de 12 mil km² foram mapeados, a partir de uma análise multicritério, com cruzamento dos parâmetros solo, clima, relevo e geologia. Para aferir as informações do mapa, os pesquisadores fizeram expedições de validações em campo, por microrregião. O trabalho contou com a participação de agentes de desenvolvimento e agricultores locais.

Senar Alagoas mobiliza novas turmas de assistência técnica e gerencial

Cerca de 210 famílias produtoras devem ser atendidas, pelo Agronordeste ou por programas do próprio Senar

Maria Eduarda Xavier
Estagiária sob supervisão

Durantes as três primeiras semanas deste mês de agosto, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas – realizou reuniões com lideranças, sindicatos e secretários de Agricultura em seis municípios do estado, para organizar e mobilizar novas turmas de Assistência Técnica e Gerencial – ATeG. Cerca de 210 novas famílias produtoras devem receber o apoio dos técnicos de campo nos próximos dois anos, seja pelo Agronordeste ou por programas específicos do Senar.

Entre os municípios beneficiados estão Palmeira dos Índios (duas turmas de fruticultura), Viçosa (uma turma de fruticultura), Anadia (uma turma de fruticultura), Traipu (uma turma de bovinocultura de leite), Craíbas (uma turma de bovinocultura de leite) e Girau do Ponciano (uma turma de bovinocultura de leite). À exceção de Palmeira, que está em fase de diagnóstico, os demais municípios possuem previsão para o início da assistência na primeira semana de setembro.

“Todo o trabalho em realizado em cima de estudos e planejamentos da área assistida, por meio dos técnicos de campo credenciados e capacitados para a ATeG. Alguns produtores rurais são escolhidos de acordo com as demandas do programa AgroNordeste, outros são os mobilizadores locais que nos procuram”, explica Sidney Rocha, supervisor de Assistência Técnica e Gerencial do Senar Alagoas.

As reuniões de mobilização seguem todas as normas e medidas de prevenção ao Covid-19 preconizadas pelas autoridades públicas de Saúde.