IBGE prevê crescimento de 10,6% na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas

Produtores na última Caravana de Grãos, em 2019

Alagoas deve encerrar 2020 com um crescimento de 10,6% na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE –, que prevê uma produção de 106,04 mil toneladas no estado. Os dados mostram que a produção alagoana cresceu 4,1% entre março e abril. A área plantada é 74,8%, maior, se comparada ao mesmo período do ano passado.

“Os resultados se devem ao bom ano agrícola, com umidade constante e condições hídricas adequadas desde março. Observamos o crescimento de culturas como o milho, soja, sorgo e algodão. Vale destacar também a produção da cana-de-açúcar, que só depende das chuvas de novembro e dezembro para concretizar um grande ano”, comenta o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal –, Edilson Maia.

A safra de grãos de 2020 em Alagoas conta com uma área de plantio com mais de seis mil hectares com milho, soja, feijão, sorgo e algodão nas regiões dos municípios de Limoeiro de Anadia e Campo Alegre. Novas áreas também foram plantadas em cidades como Atalaia e Coruripe. Em todo o Estado, estimam-se 12 mil hectares tecnificados. Em área plantada, o milho se destaca, seguido da soja e do feijão de corda.

Outro fator para o crescimento na produção é a ocupação de áreas deixadas pela monocultura da cana e que hoje dão espaço para o plantio de milho, soja, feijão, sorgo, entre outros grãos. Todo este trabalho é coordenado pela Comissão de Grãos, criada pelo Governo de Alagoas em parceria com a Faeal e outras instituições, e conta com o apoio das pesquisas da Embrapa.

“A comissão de grãos foi criada em uma reunião na Federação, no dia 18 de janeiro de 2015. À época, o então secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Vasconcelos, e o presidente da Faeal, Álvaro Almeida, conduziam uma discussão sobre a agropecuária de Alagoas, no início de um novo governo. Nossa produção tecnificada era de poucas centenas de hectares de grãos. Na atualidade temos por volta de 12 mil ha com bom nível tecnológico, sendo por volta de 9 mil hectares de milho , 1.400 ha de soja, complementando feijão e sorgo”, mensura o presidente da Comissão de Grãos, Hibernon Cavalcante.

Segundo Hibernon, a produção atual ainda não garante o abastecimento interno de Alagoas. “Precisaríamos de pelo menos 50 mil hectares de milho tecnificado e 20 mil de soja, sem contar os feijões e silagem para alimentação animal. Se fossemos aproveitar o mercado regional, só para abastecer o mercado de alimentação de aves de Pernambuco precisaríamos multiplicar por dez vezes a área plantada”, calcula.

“Hoje, aos poucos, estamos atraindo produtores profissionais de grãos de outros estados. Temos um mercado aberto para produção de sementes de soja. Nossa comissão tem participantes de toda cadeia de grãos, da pesquisa, empresas de insumos, universidade, bancos, máquinas, serviços S, cooperativas, produtores. Realizamos seminários, reuniões periódicas, dias de campo, cursos, palestras e vários outros eventos. Como um dos resultados dos trabalhos tivemos a denominação da região dos tabuleiros dos estados de Sergipe, Alagoas e Bahia como uma nova fronteira de grãos com a marca Sealba”, comenta Hibernon.

Presidente da Faeal e governador de Alagoas na solenidade de anúncio do decreto de incentivo fiscal à produção de grãos (Foto: Thiago Sampaio/Agência Alagoas)

Incentivo
No último mês de outubro, o Governo de Alagoas atendeu ao pleito dos produtores de grãos alagoanos, representados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal –, e assinou o decreto que concede crédito presumido do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – ICMS – nas operações internas e interestaduais do milho, milheto, soja e sorgo, feitas por produtores estabelecidos em Alagoas.

Segundo o presidente da Faeal, Álvaro Almeida, a medida foi um importante incentivo à produção no Estado. “Até o momento, todas as solicitações da Federação foram atendidas por esta gestão e nós temos a certeza de que continuaremos contando com este apoio, pois o governo sabe que o setor rural contribui muito com a geração de renda e o desenvolvimento social de Alagoas”, acrescenta Almeida.

 

Programa Forrageiras para o Semiárido indica melhores plantas para Alagoas

Os produtores rurais do semiárido alagoano que pretendem plantar forrageiras no período chuvoso que se inicia, para servir de alimento aos rebanhos, têm como base os indicativos das pesquisas realizadas no Parque de Exposições Mair Amaral, município de Batalha, onde funciona uma Unidade de Referência Tecnológica – URT – do projeto Forrageiras para o Semiárido. A iniciativa é do Instituto CNA, em parceria com a Embrapa, e conta com o apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal –, do Governo do Estado e do Senar AL.

Segundo o zootecnista, técnico do Senar e responsável pela URT em Alagoas, Alexis Wanderley, as variedades de Buffel, sobretudo a Buffel aridus, têm se destacado em termos de produtividade e resistência. Outra variedade que tem uma resistência muito grande e é bastante indicada é o Urochloa , popularmente conhecido como capim corrente.

“O Andropogon L. e o Capim Massai também vêm dando bons resultados, porém, em Batalha, houve uma mortalidade em torno de 15% e 30%. São variedades mais exigentes em água, recomendadas para o nosso Agreste ou microrregiões do Sertão do Estado, como nos municípios de Olho D’água das Flores e Monteirópolis, por conta do índice pluviométrico”, explica Alexis.

Palmas
Segundo Wanderley, as variedades de palmas mais indicadas para o semiárido alagoano – e que inclusive são mais resistentes às pragas como a cochonilha do carmim – são a Palma Miúda, já encontrada em cerca de 90% das propriedades rurais da região, e a Orelha de Elefante Mexicana, que também vem apresentando bons resultados. “Esta variedade se mostra pouco suscetível às pragas e é bastante produtiva aqui nas nossas pesquisas”, atesta.

A Ipa Sertânea também é resistente à cochonilha do carmim e se equipara em produção à Palma Miúda e à Orelha de Elefante Mexicana, porém, tem se mostrado mais suscetível às pragas, principalmente à cochonilha de escama.

Pesquisas
O projeto Forrageiras para o Semiárido tem o objetivo de identificar as variedades que se adaptam melhor ao clima de cada região, com o objetivo de oferecer novas fontes de alimento para os rebanhos. A URT de Batalha é uma das 13 distribuídas entre o Nordeste e o norte de Minas Gerais. O espaço no Parque de Exposições Mair Amaral foi cedido pelo Governo de Alagoas, em atendimento à solicitação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado – Faeal.

Em Alagoas, 18 tipos de plantas são testadas, entre gramíneas anuais e perenes, cactáceas e lenhosas. Os pesquisadores e técnicos analisam seis variedades de capim (gramíneas perenes); seis de milho, sorgo e milheto (gramíneas anuais); quatro variedades de palmas e duas de leguminosas. Elas são avaliadas quanto ao seu estabelecimento e produção de forma solteira e consorciada.

Brucelose bovina: consumo de leite e carne crus é fator de risco

O consumo de carne crua de animais contaminados, leite cru ou produtos lácteos que não receberam um tratamento térmico adequado é um fator de risco de transmissão da brucelose bovina. A zoonose causada pela bactéria Brucella abortus pode ser transmitida ao homem por meio de contato da bactéria com as mucosas ou feridas na pele.

Segundo a engenheira agrônoma Luana Torres, coordenadora de Assistência Técnica e Gerencial do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas –, a prevenção contra a brucelose bovina é um tema que precisa ser discutido mais amplamente, para o bem dos rebanhos e dos tratadores.

“Nos grupos de risco temos, primeiramente, tratadores, veterinários e zootecnistas responsáveis pelos cuidados do rebanho. Deve haver precaução redobrada no manuseio de restos de placenta, fluidos fetais e carcaças de animais infectados. Já os funcionários de lacticínios e pessoas que lidam com alimentos, em casa ou nos estabelecimentos comerciais, podem se contaminar pelo contato com a carne ou o leite de animais acometidos pela doença”, alerta Luana.

Parecidos com os da gripe, os sintomas mais comuns da brucelose bovina no homem são febre ou sudorese noturnas, dores nas articulações e musculares. Nos casos mais graves, a evolução pode causar espondilite (artrite inflamatória que afeta a coluna vertebral e as articulações grandes), artrite periférica e tromboflebite (ou trombose venosa superficial).

“Nos animais, quando se fala da cultura de leite, a brucelose causa abortos, repetição de cio, nascimentos prematuros e pode ocasionar uma séria queda na produção leiteira. Além disso, o rebanho contaminado perde drasticamente sua eficiência produtiva e reprodutiva. As perdas podem chegar a 25%”, comenta Luana Torres.

A prevenção da brucelose bovina é feita por meio da vacinação das fêmeas (B19 e RB51). Caso animais sejam diagnosticados positivos para andorinha, é necessário fazer o sacrifico. O diagnóstico é feito por soroaglutinacão com ATT e com 2-ME.

Olerícolas exigem ações preventivas contra pragas

Técnicos do Senar Alagoas orientam olericultores

O acompanhamento da presença de pragas na horta é de fundamental importância para o sucesso e viabilidade da produção de olerícolas. É preciso combinar técnicas mecânicas, físicas e biológicas para garantir a sanidade, qualidade e produtividade. Sem os cuidados necessários, plantações podem ser totalmente destruídas.

“As olerícolas necessitam de um manejo adequado para garantir a própria atividade e, dentre os cuidados que favorecem uma produção de qualidade, está o controle das pragas. Algumas pragas desfolham as plantas e outras costumam sugar a seiva, bloqueando o desenvolvimento e transmitindo viroses”, explica a engenheira agrônoma e técnica de campo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Alagoas), Tatiana Salvador.

“Pulgão, mosca branca e cochonilha são insetos que se alimentam da seiva, prejudicam a fotossíntese e são muito comuns na cultura da alface. Já o ácaro rajado causa necrose nas folhas e provoca desfolhamento completo em infestações mais severas. Na fase larval, a traça das crucíferas e a lagarta da couve, com hábitos noturno e diurno, respectivamente, alimentam-se das folhas e podem provocar a perda total da produção. Elas afetam principalmente as culturas da alface, couve e repolho”, exemplifica Tatiana.

Medidas
Segundo a técnica de campo do Senar Alagoas, a rotação e culturas, o policultivo e a destruição de resíduos vegetais ao final da colheita são procedimentos muito utilizados como medidas de controle preventivo. “O aumento do espaçamento entre plantas também é recomendado, pois evita a alta densidade e a competição por luz e umidade, que podem servir de abrigo para as pragas. Outra maneira de controle preventivo é a escolha de variedades resistentes e o equilíbrio correto de nutrientes no solo, para que a planta suporte melhor, caso seja atacada”, orienta.

Em áreas que já estejam apresentando algum tipo de praga, pode ser utilizado o controle mecânico, por meio da remoção manual da praga na planta, catação e destruição das lagartas, esmagamento dos ovos, armadilhas adesivas para a captura do inseto na fase adulta ou que possam repeli-lo na horta. “Também recomenda-se a utilização de extratos naturais biologicamente ativos, por meio e plantas com propriedades antagônicas”, observa Tatiana Salvador.

Programa Mais Pasto ajuda a proteger 875 nascentes em Alagoas

As nascentes são fontes de vida para o campo e a cidade, cumprem um importante papel ambiental, mas necessitam de cuidados especiais para continuar oferecendo água de qualidade. Em Alagoas, o Mais Pasto, programa de consultoria para pecuaristas promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em parceria com o Sebrae, contribui significativamente para essa preservação. Hoje, 875 nascentes estão protegidas em propriedades atendidas pelo Senar AL.

“Iniciamos esse trabalho em 2017, quando participamos do Programa Especial Proteção de Nascentes da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Naquele ano, conseguimos proteger 150 nascentes no período do projeto, com os nossos técnicos de campo do Mais Pasto trabalhando na identificação e na orientação das medidas protetivas nas propriedades”, relembra a engenheira agrônoma Luana Torres, coordenadora de Assistência Técnica e Gerencial do Senar Alagoas.

Pecuaristas que participam do Programa Mais Pasto aprendem a proteger nascentes em apenas um dia de orientações. O processo envolve cinco etapas, que começam com a identificação da nascente. “Para proteger, você precisa conhecê-la, saber se é uma nascente de fundo de vale, de encosta ou de contato, que também nasce do lençol freático”, explica Luana.

O segundo passo é cercar a nascente. “A cerca vai impedir danos que podem ser causados por animais que pisoteiam ao redor, por trabalhadores ou veículos. Depois disso, vem a terceira etapa, que é a limpeza da área para que nada bloqueie o caminho da água e a nascente permaneça saudável. É necessário deixar a nascente livre de folhas, raízes, plantas invasoras ou daninhas e de terra que desliza, para que não acabe provocando lama. Deve ser feito um roçado, desde que não prejudique a fonte de água”, orienta a coordenadora de ATeG do Senar Alagoas.

O quarto passo é controlar a erosão. “É fundamental fazer a conservação do solo para evitar a erosão hídrica, impedir que as enxurradas soterrem a nascente e que esse solo fique compactado, pois isso impossibilita a infiltração de água. Há várias formas de combate à erosão, como melhorar a fertilidade do solo por meio de adubação ou uso do calcário, adotar plantio no contorno e terraceamento, e proteger o solo com a própria vegetação da área”, diz Luana Torres.

A quinta e última etapa para a conservação de nascentes é replantar espécies nativas, preparar o terreno, adubar, fazer as covas onde serão plantadas essas espécies. “Isso garante o sucesso da recuperação da área da nascente. A melhor técnica é imitar a natureza, reproduzir a vegetação original daquele lugar”, observa a engenheira agrônoma.

Faeal lança campanha de incentivo ao consumo de etanol

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal – criou uma campanha para estimular o consumo de etanol no período de pandemia da covid-19. A iniciativa chama a atenção para o fato de o etanol ser patrimônio brasileiro, gerar empregos, renda e fortalecer o Estado. A estratégia também é contribuir para minimizar os impactos da crise no setor sucroalcooleiro, tão importante para a economia alagoana.

“O setor sucroenergético é fundamental para o desenvolvimento de Alagoas. Mesmo com a crise econômica enfrentada nos últimos anos, chegou a responder por cerca de 80 mil empregos diretos no estado, no final de 2019, período de safra. Por isso, neste momento extremamente difícil que o mundo inteiro enfrenta, abastecer com etanol é incentivar a produção nas usinas de cana-de-açúcar e garantir o sustento de milhares de alagoanos”, afirma o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.

A cadeia produtiva da cana-de-açúcar ocupa a maior área cultivada no Estado de Alagoas, com cerca de 350 mil hectares, e reúne aproximadamente 6,5 mil produtores. Além do açúcar e do álcool, o setor também produz energia a partir da queima do bagaço da cana. Mesmo com a crise dos últimos anos, o contingente de moagem da safra atual é de 18 milhões de toneladas.

“Este setor é de uma importância social extrema. Neste momento, não devemos olhar simplesmente a relação de custo, mas, sim, a sustentabilidade e a continuidade dessa atividade secular em nossa região, para que ela se mantenha firme, distribuindo renda, emprego, gerando capital e fazendo com que o desenvolvimento do Estado de Alagoas aconteça”, comenta Edilson Maia, vice-presidente da Faeal.

No último mês de abril, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA – e mais nove entidades do setor sucroenergético encaminharam ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, um documento com medidas emergenciais para evitar o colapso do segmento diante dos impactos da crise na cadeia produtiva provocada pela pandemia do coronavírus e agravada pelos baixos preços internacionais do petróleo.

Entre as medidas emergenciais propostas, que permitirão a sobrevivência do setor se adotadas em conjunto, estão a instituição de um programa de warrantagem (uso do produto como garantia em empréstimo), a isenção temporária de PIS/Cofins sobre o etanol hidratado e o aumento da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina para recuperar a competitividade do etanol.

As entidades também pedem medidas de garantia de remuneração aos produtores de cana-de-açúcar, especialmente os fornecedores independentes da matéria-prima. Neste contexto, solicitam ações para assegurar que as usinas “sejam capazes de cumprir os compromissos com eles assumidos, pagando em dia os contratos de fornecimento”.

No documento, as entidades alegam que o etanol, um dos produtos mais impactados pela crise, tem sido vendido abaixo de seu valor de custo. Se permanecer assim, usinas serão obrigadas a interromper a safra que mal começou, com efeitos impensáveis para uma cadeia que envolve produtores de cana, fornecedores de máquinas e insumos, cooperativas e colaboradores em mais de 1.200 cidades brasileiras.

“O colapso atingirá muitas das 360 usinas e destilarias, além de 70 mil produtores rurais, que, juntos, oferecem cerca de 750 mil empregos diretos e, pelo menos, 1,5 milhão de postos indiretos, em mais de 1200 cidades brasileiras, sem falar na indústria de base e naquela de máquinas e de equipamentos. São 370 usinas e destilarias, 70 mil fornecedores de cana-de-açúcar, num total de 2,3 milhões de empregos diretos e indiretos que estão sob ameaça iminente”, diz o documento.

 

Técnico do Senar orienta sobre estação de monta

Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo

Muito comum na pecuária, a estação de monta, prática em que fêmeas aptas para a reprodução são expostas ao touro, inseminação artificial ou transferência de embriões durante um determinado período do ano é importante para a concentração de partos e, consequentemente, de operações como desmama, vacinações e vermifugações. Mas o produtor precisa ter alguns cuidados para obter o melhor resultado possível na produção.

Zootecnista e técnico de campo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas –, Filipe Chagas explica que, além de padronizar os lotes, a estação de monta também permite ao produtor determinar a melhor época do ano para o nascimento dos animais.

“Em alguns períodos do ano, principalmente nos de chuva, os recém-nascidos, por não estarem com o sistema imunológico totalmente desenvolvido, são acometidos por algumas enfermidades, como os endo e ectoparasitas, ou problemas respiratórios. Com a estação de monta, é possível determinar a melhor época do nascimento e reduzir a taxa de mortalidade no rebanho”, orienta Chagas.

Segundo Filipe, a prática também ajuda o produtor a identificar os animais mais férteis e os que trazem prejuízo à produção. “Não é recomendável que as vacas que não emprenham durante a janela da estação de monta sejam mantidas na propriedade”, comenta o técnico de campo do Senar Alagoas.

Planejamento
Filipe Chagas explica que o melhor período para se fazer a estação de monta é o que garanta a melhor disponibilidade de alimento, em quantidade e qualidade para o rebanho. “Muitos estudos mostram que a nutrição é o principal fator para se ter sucesso na estação de monta, pois está vinculada à saúde e fertilidade dos animais”, comenta.

A recomendação é de que o pecuarista faça um planejamento forrageiro, verifique a situação dos equipamentos utilizados e se a mão de obra é capacitada. Também é importante fazer exames ginecológicos nos animais, para saber como está a saúde reprodutiva. “Todas essas medidas influenciarão muito na melhor elaboração da estação de monta e nos índices reprodutivos”, afirma Filipe.

A estação de monta deve durar entre 90 e 120 dias. “Mas é bom lembrar que a pecuária não trabalha com ‘receita e bolo’, portanto, essa duração vai depender muito da realidade de cada propriedade, da finalidade da produção – se é comercial ou de animais puros que vão para a pista –, como também da genética de cada animal. Nota-se, por exemplo, que os azebuados ou mais velhos necessitam de um período maior de estação de monta”, observa o zootecnista.

Senar orienta produtores de Olho D’Água das Flores contra pragas no cultivo da couve

Plantações de couve estão sendo destruídas por pragas na zona rural de Olho D’Água das Flores, município do sertão alagoano, a 171 quilômetros de Maceió. Os níveis de infestação da lagarta da couve, também conhecida como curuquerê da couve, são altos. Os plantios também estão sendo atacados por pulgões, lagartas mede palmo e traças das brássicas.

“Faz uns 40 dias que eu vi as folhas de couve ficando com umas manchas amarelinhas e as borboletas pousando. Quando foi mais ou menos com uns três dias, já estava essa praga de lagarta e até hoje eu não sei o que fazer. Minha produção está 100% perdida”, lamenta a agricultora Maria das Virgens Bezerra Venâncio.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas – iniciou um trabalho de assistência técnica e gerencial com os produtores de Olho D’Água das Flores, no último mês de abril, e constatou o problema em cerca de 80% das 29 propriedades visitadas. O trabalho de orientação no combate às pragas vem sendo realizado pela engenheira agrônoma e técnica de campo do Senar, Tatiana Salvador.

“A lagarta da couve, principal praga encontrada, é uma lepidóptera (ordem de insetos que inclui a borboleta e a mariposa) que em sua fase adulta deposita os ovos na parte inferior da folha das couve. Em média, a eclosão ocorre entre 10 a 12 dias. A fase larval, que é a fase de lagarta, provoca a desfolha, a lagarta devora e causa danos severos à produção, deixando apenas as nervuras mais grossas das plantas”, comenta Tatiana.

Segundo a técnica de campo do Senar, em alguns casos, a severidade do ataque impede que novas brotações ocorram. “Os produtores têm tentado controlar a praga por meio da catação manual, na fase larval, ou o esmagamento dos ovos depositados abaixo da folha”, comenta.

Salvador explica que, para evitar o ataque da fase adulta, algumas medidas de prevenção devem ser adotadas como o uso de armadilhas para captura ou outras ações para repelir a presença das borboletas na horta.

“Orientamos os produtores rurais a utilizarem extratos naturais à base de óleos vegetais ou ervas, o cultivo de outras culturas no entorno dos canteiros, para servir de barreira física, os telados sombrite algumas vezes também podem ser usados, com sombreamento de 30% a 50%, além do consórcio com outras culturas, para favorecer a presença de inimigos naturais e aumentar a diversidade de plantas no local”, elenca Tatiana.

Faeal divulga notas sobre crédito agropecuário e medidas econômicas na pandemia

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas – Faeal – divulga dois documentos importantes: uma nota técnica sobre simplificação de procedimentos de liberação e fiscalização do crédito agropecuário e uma análise sobre as medidas econômicas para ajudar os produtores rurais na pandemia.

Confira:

Nota técnica sobre simplificação de procedimentos de liberação e fiscalização do crédito agropecuário

Análise sobre as medidas econômicas na pandemia 

A Faeal orienta aos produtores interessados na liberação de crédito, que procurem as instituições bancárias.

Senar auxilia ovinocultores de Delmiro Gouveia no combate à dermatite

Pedro Alexandre identificou o problema nas primeiras visitas técnicas

Ovinocultores do município de Delmiro Gouveia, no sertão alagoano, a 249 quilômetros da capital Maceió, ganharam o apoio da assistência técnica e gerencial do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar Alagoas – para combater uma dermatite que tem acometido os rebanhos.

Zootecnista e técnico de campo do Senar, Pedro Alexandre Miranda identificou o problema nas primeiras visitas às propriedades, no início de abril, nos povoados Pedrão, Riacho da Areia, Araçá e nos assentamentos Mandacaru e Jurema. Agora, o trabalho é para identificar a causa da doença.

“Quando começou a época de chuva, os produtores perceberam a vastidão de uma forrageira chamada Malva Branca. Eles desconfiam que essa planta é a causa ou que é sarna mesmo. No caso da sarna, não sabem identificar o motivo. A situação está sendo analisada por um veterinário da região”, explica Pedro Alexandre.

Segundo o zootecnista, a dermatite acomete principalmente animais de pele e pelo brancos, mas também está presente em ovinos de pele preta e pelo branco. “Os sintomas são o couro duro e cascudo na região afetada, com sinais de vermelhidão. Como o animal fica coçando a região, provoca feridas”, observa.

Importância da assistência

Doença acomete principalmente animais de pele e pelo brancos

Pedro Alexandre também identificou que os ovinocultores estavam tentando combater a dermatite com produtos e técnicas popularmente conhecidos, a exemplo do óleo queimado e do spray prata, mas sem a certeza da sua eficácia. “A assistência técnica e gerencial do Senar é importante para que os produtores possam ter o maior entendimento do problema e adotar as soluções mais adequadas”, comenta o técnico de campo.

“As pessoas costumam reproduzir práticas dos pais, dos avós, mas que não têm eficácia, não curam a dermatite e podem afetar a saúde do produtor, dos seus familiares, dos animais e até das plantações na propriedade. Com a assistência técnica, o profissional capacitado e atualizado se utiliza de métodos e medicamentos eficazes e efetivos no tratamento da doença”, endossa a coordenadora de Assistência Técnica e Gerencial do Senar Alagoas, Luana Torres.